Há mais de uma década que já não é segredo que o Facebook, gigante tecnológico nascido de uma trapaça de Mark Zuckerberg, explora perfis de seus usuários para desvendar e manipular o comportamento humano. A rede de Zuckerberg sabe mais de nós do que nós mesmos: conhece nossos medos, nossos desejos ocultos, nossos impulsos mais profundos. Com a precisão cirúrgica de quem tem à disposição os dados de um terço da população do planeta, o algoritmo faz o que quer de suas cobaias. Ele não só prevê o comportamento humano; ele o molda.
Agora, em um gesto descarado de submissão ao extremismo, Zuckerberg anunciou que removerá o processo de verificação de fatos de suas plataformas. Sob a máscara de “neutralidade”, o bilionário acena para o público de extrema direita, prometendo abrir o esgoto da desinformação. Em um pronunciamento repleto de “apitos de cachorro” – insinuações veladas que só os iniciados no nazifascismo entendem –, ele acusa os verificadores de fatos de serem politicamente enviesados, enquanto, nas entrelinhas, estende a mão ao presidente Trump. A parceria é explícita: desestabilizar políticas de países “tiranos”, especialmente os da América Latina.
Não citou o Brasil, mas o alvo é claro. Seu discurso, impregnado de críticas às regulações europeias e latino-americanas, foi uma ameaça direta ao país. Em 2018, já tínhamos visto do que suas redes são capazes: a disseminação de fake news em escala industrial e a ascensão meteórica de perfis ligados à extrema direita bolsonarista. Agora, em 2025, Zuckerberg não se preocupa em esconder: o flerte com o fascismo se tornou casamento, com recibo público.
Enquanto isso, no Brasil, o cenário é de desproteção. Desde que as concessões de rádio e TV foram regulamentadas, sempre houve a preocupação de impedir que mãos estrangeiras manipulassem nossa soberania. Mas a internet, com sua voracidade, devorou esses limites. Hoje, as redes sociais acompanham os dias e as noites dos brasileiros, sem qualquer regulação que proteja os interesses nacionais. Patriotas de fachada, seguem reproduzindo discursos enlatados e vira-latas de que na internet deve haver liberdade irrestrita, com tolerância inclusive ao autoritarismo, ignorando o fato que são justamente eles, também latinos, são o alvo do desprezo de figuras como Trump.
Zuckerberg, no entanto, não age sozinho. A América Latina é palco de velhos e novos colonizadores. Mas há uma resistência. O sonho imperial de Zuckerberg pode ruir, assim como o império capenga de Elon Musk com sua plataforma X. A soberania da América Latina nunca será entregue sem luta. Sorte que o algoritmo que tanto insiste em nos programar é tão falho quanto a famigerada Meta AI do WhatsApp e tão esquecido quanto o Metaverso.
Países do mundo inteiro que não são submissos ao neocolonialismo americano, já veem na atitude do Brasil uma atitude soberana e devem rever também as suas políticas, saindo da vassalagem digital das redes socias americanas.
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