Ambientada no período da ditadura militar, Ainda Estou Aqui desnuda as cicatrizes de um Brasil onde a justiça é enterrada junto com seus filhos. Eunice Paiva, uma mulher feita de coragem e lágrimas, enfrenta o vazio deixado pelo desaparecimento de seu companheiro, Rubens Paiva, vítima da ditadura militar brasileira.
Dirigido por Walter Salles, Ainda Estou Aqui é um grito que rompe o silêncio das covas da ditadura e recorda que a memória é a arma mais temida pelos opressores.
A massa bolsonarista, ao desmerecer o Globo de Ouro, recorre ao seu velho artifício: a desinformação. Espalham mentiras sobre o filme e Fernanda Torres, alegando, sem provas, que a obra foi financiada com dinheiro público pela Lei Rouanet. Antes fosse verdade que o governo tivesse investido na cultura! Mas a realidade é outra: o filme é de Walter Salles, herdeiro do Itaú, um dos cineastas mais abastados do planeta, financiado com recursos privados.
A ironia escorre pelas frestas da narrativa: os mesmos que gritam contra uma suposta censura do governo e do judiciário são aqueles que agora se consomem na inveja de uma obra que escancara os horrores da ditadura militar. O ódio deles não é contra o filme ou seus autores, mas contra a memória viva que ele traz – uma memória que ameaça o esquecimento, essa aliança mortal entre o poder e a impunidade.
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